top of page

Cactos-orquídea - gênero Epiphyllum e híbridos intergenéricos

1. Origens geográfica e etimológica | 2. Características e difusão | 3. Epiphyllum x Hylocereus | 4. Referências | 5. Galeria

Origens geográfica e etimológica

O termo "epiphyllum" tem origem grega e significa "sobre as folhas". É composto de 19 espécies de cactos epífitos, nativos da América Central. Embora o nome se refira, mais propriamente ao gênero botânico, dos quais são exemplos de espécies Epiphyllum hookeri, E. phyllanthus e E. oxypetalum, o termo também é aplicável aos híbridos intergenéricos resultados de cruzamento com espécies dos gêneros Disocactus e Selenicereus, entre outros. Em inglês, também se utiliza a forma sintética "epi" (cujo aportuguesamento correspondente seria "êpi"). Já a expressão "cacto-orquídea", dada também a cactos de outros gêneros com características símiles (em razão de uma tendência evolutiva convergente), deve-se à semelhança com as orquídeas em seu aspecto epífito, bem como no que concerne à grande variação de cores e formas florais - consta que a Sociedade Americana de Epiphyllums (Epiphyllum Society of America - ESA) possuía, ainda em 2013, mais de 14.500 registros de variedades; com 8 anos a mais de desenvolvimento por hibridizadores profissionais e entusiastas, o número de indivíduos diferentes cultivados de sementes, quer registrados ou não, provavelmente já se aproxima de duas dezenas de milhares (quiçá já tenha até ultrapassado tal quantia).


Características e difusão

Grande parte dos epiphyllums híbridos resulta de polinização manual; tal que ocorre com as pitayas, os polinizadores naturais seriam morcegos e mariposas nas ocorrências naturais de algumas espécies.

Ao passo que nos Estados Unidos e em algumas outras localidades, como Austrália e Nova Zelândia, há boa difusão de informações sobre as plantas e destas propriamente ditas, suficiente para haver sociedades próprias com troca de experiências entre cultivadores, no Brasil o cultivo de epiphyllum não possui tanto destaque. Confirmamos ocorrências comuns da planta em áreas arborizadas nos estados de São Paulo, como na cidade de Jaboticabal, do Paraná, em Foz do Iguaçu, e de Mato Grosso do Sul, em Bonito e Paranaíba. Há também ocorrência comum em quintais de alguns exemplares específicos, como o "cacto-sianinha" (ou "cacto zigue-zague"), Selenicereus anthonyanus (planta anteriormente classificada como Cryptocereus anthonyanus), e a espécie E. oxypetalum, uma das várias plantas que recebem a alcunha de "dama-da-noite" por sua floração noturna.

Os frutos são pequenos - equivalentes em tamanho a algumas pitayas-do-cerrado e até mesmo menores - e comestíveis, com sementes bem semelhantes às do mandacaru e das pitayas. O cladódio é plano (dois lados), lembrando uma folha, o que também lhe dá o nome em inglês "leaf cactus" (cacto-de-folha - termo empregado em português para algumas espécies do gênero Pereskia).

Uma característica interessante de alguns dos epiphyllums híbridos é o tempo de abertura da flor: enquanto em cactáceas do gênero Cereus e Hylocereus, a abertura se dá por apenas uma noite, há epiphyllums cujas flores se mantêm abertas por três dias e até por uma semana, permitindo a polinização no período diurno. Edgar Valdivia, renomado hibridizador de pitayas residente em Simi Valley, Califórnia, EUA, nota que esse aspecto seria de particular utilidade no cultivo destas caso algum cruzamento entre os dois gêneros permita a abertura por mais tempo das flores das plantas resultantes - ele tem empreendido esforços no sentido de desenvolver uma variedade assim e, embora não tenha conseguido ainda esse resultado específico, contam-se, entre seus méritos, as sucessivas gerações da variedade Asunta, de flores roxas/cor-de-rosa. Semelhante empreitada, mas com finalidade ornamental, foi realizada por Eckhard Meier, um dos membros fundadores da Sociedade Alemã de Cactos Epífitos (Interessengemeinschaft Epiphytische Kakteen - EPIG) e autor de diversos artigos sobre hibridização desses cactos, entre dois cactos diferentes do gênero Hylocereus (H. undatus e H. stenopterus), cujo resultado foi a obtenção das variedades de pitaya Bruni, Connie Mayer e Kathie van Arum

As mudas geradas por estacas enraízam rapidamente, mas o crescimento da planta pode ser vagaroso. Seu desenvolvimento é melhor à meia-sombra - o sol direto pode causar danos ou mesmo a morte às plantas. Como outros cactos de tendência tropical, possui vulnerabilidade ao frio. Suas raízes são mais frágeis que as de pitaya, facilmente suscetíveis a apodrecimento em caso de umidade excessiva. Recomenda-se o plantio em vasos suspensos, evitando o plantio direto no solo - em seu habitat natural, desenvolvem-se abaixo de plantas maiores, de porte arbóreo, escorando-se entre seus ramos.

Estima-se que as plantas propagadas por estaca floresçam em torno de dois a três anos após o enraizamento.

É importante ressaltar que os colecionadores de epiphyllum desaconselham a tentativa de identificação das variedades apenas pela cor de suas flores; mais de uma variedade pode ter padrão aparentemente indiscernível. O zelo pela correção das informações no que tange à identificação das plantas é válido para o conhecimento de suas demais características (e não tão somente a cor da flor), bem como de sua linhagem, para fins de averiguação das potenciais características desejadas na progênie.

Epiphyllum x Hylocereus

Como parte do programa de hibridização conduzido na Estância Arco-íris, temos selecionado alguns epiphyllums não somente pela beleza de suas flores, mas pela peculiaridade do sabor de seus pequenos frutos, para cruzamentos intergenéricos com pitayas, visando ampliar o potencial ornamental destas, com flores de cores diferentes das já comumente conhecidas, bem como inserir uma nova gama de sabores nos frutos disponíveis. A previsão é de que os híbridos já germinados tenham sua primeira carga para avaliação até 2023.

Texto: Karl Rocha

Data da publicação original: 5/2/2021

Data da mais recente alteração: 25/7/2021

Reprodução textual autorizada somente com expressa citação da fonte:
ROCHA, K. F. A. P. de F. Cactos-orquídea. In: PITAYA E COMPANHIA. Plantas. Campo Grande: Pitaya e Companhia, 2021. Disponível em: https://www.pitayaecia.com/cactos-orqu%C3%ADdea. Acesso em: [indicar data de acesso].

Referências

EPIPHYLLUM Society of America. Disponível em: https://www.epiphyllums.org/. Acesso em: 31 jan. 2021.

EPIPHYLLUM. In: WIKIPEDIA: the free encyclopedia. [São Francisco, CA: Wikimedia Foundation, 2020]. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Epiphyllum. Acesso em: 31 jan. 2021.

EPIPHYLLUM Hybrid. In: WIKIPEDIA: the free encyclopedia. [São Francisco, CA: Wikimedia Foundation, 2020]. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Epiphyllum_hybrid. Acesso em: 31 jan. 2021.

SELENICEREUS Anthonyanus. In: WIKIPEDIA: the free encyclopedia. [São Francisco, CA: Wikimedia Foundation, 2020]. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Selenicereus_anthonyanus. Acesso em: 31 jan. 2021.

YOUTUBE. Edgar Valdivia. Disponível em: https://www.youtube.com/channel/UC9kLnawVbw72p9icPZDGtzQ/videos. Acesso em: 31 jan. 2021.

Epi.4
Epi.3
Epi.2
Epi.1
Galeria

Algumas imagens de cactos-orquídea.

Epi.5
bottom of page